MP Eleitoral aciona Wagner, Rui e Jerônimo por pedido de voto em evento do PT na Bahia; vídeo do "R$ 50" circula sem comprovação
O Ministério Público Eleitoral acionou o TRE da Bahia contra o senador Jaques Wagner, o ex-ministro Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues, todos do PT,…

O Ministério Público Eleitoral acionou o TRE da Bahia contra o senador Jaques Wagner, o ex-ministro Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues, todos do PT, por propaganda eleitoral antecipada na etapa de Itabuna do PGP, o "Programa de Governo Participativo", realizada em 16 de julho. Segundo o Bahia Notícias, a ação nasceu de denúncia do deputado estadual Leandro de Jesus (PL) e aponta pedido explícito de votos no palco: "nós precisamos eleger Rui Costa, senador" e "papai aqui também precisa de um votinho". O MPE pediu a remoção do vídeo do evento do YouTube em 24 horas e multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

O PGP é o ciclo de escutas que o grupo do governador percorreu pelos 27 territórios de identidade da Bahia até o fim de julho, sempre com a cúpula do PT baiano. Na etapa de Teixeira de Freitas, nos dias 18 e 19 de julho, a plenária reuniu cerca de 5 mil pessoas na Avenida Getúlio Vargas, com Jerônimo, Wagner, Rui Costa e o vice-governador Geraldo Júnior, e com caravanas de cidades vizinhas lideradas por parlamentares governistas, como registrou a imprensa local. Caravana, registre-se desde já, não é irregularidade: a Lei das Eleições lista transporte de pessoal a serviço de campanha entre os gastos eleitorais lícitos e declaráveis.

O vídeo dos "R$ 50": o que circula e o que se comprova

É dessa etapa de Teixeira de Freitas o vídeo que circula nas redes: uma conversa em que um homem diz ter recebido R$ 40 dos R$ 50 que teriam sido prometidos para ir ao evento. A própria página local que publicou o reel ressalva, na legenda, que as imagens "não comprovam, por si só, que tenha havido pagamento organizado". Esta redação checou: até a publicação desta matéria, nenhum veículo regional ou estadual noticiou a alegação, nenhuma agência de checagem (Aos Fatos, Lupa, Comprova, Estadão Verifica) a examinou, não há nota do PT sobre o tema nem registro de representação ao MP Eleitoral por pagamento a participantes. A conversa do vídeo não identifica os envolvidos nem quem teria pago. Em resumo: a alegação existe como post, não como fato apurado, e não se pode afirmar que houve pagamento. Também é errado misturá-la com a ação do MPE sobre Itabuna, que trata de pedido de voto, não de dinheiro.

O que a lei permite e o que a lei veda

Vale a régua da legislação, em fontes oficiais do TSE. Transportar militantes para ato de campanha é lícito (gasto declarável, art. 26 da Lei 9.504/97); o crime de transporte de eleitores existe, mas se refere à véspera e ao dia da eleição (Lei 6.091/74). Distribuir "quaisquer bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor" em campanha é vedado (art. 39, parágrafo 6º), e a compra de votos (art. 41-A) exige a promessa ou entrega de vantagem com o fim de obter o voto, do registro da candidatura até a eleição, com prova robusta. Ou seja: se um dia se provar pagamento em dinheiro para encher evento, o caso é sério e tem endereço institucional; até lá, é boato. No comício de estreia de Lula em São Bernardo, no dia 16, aliás, o aviso afixado no local dizia expressamente que a participação não gera "indenização ou remuneração", como mostrou o Poder360, e nenhuma alegação de pagamento naquele ato foi publicada por veículo checável.

Denúncia séria tem caminho, e ele funciona

O caso de Itabuna prova o ponto desta matéria: o deputado da oposição que viu irregularidade não postou um vídeo anônimo, levou ao Ministério Público Eleitoral, e a máquina andou: há ação no TRE-BA, com pedidos objetivos, contra três dos principais nomes do PT baiano. É assim que se fiscaliza o poder. Quem tiver o vídeo original de Teixeira de Freitas, com data, local e envolvidos identificáveis, deve entregá-lo ao MPE, que tem instrumentos para apurar o que redação nenhuma consegue. Publicar alegação sem lastro como se fosse fato não enfraquece o governo; enfraquece quem publica. A régua desta casa é uma só, para viral contra qualquer lado: fato com fonte entra, boato fica na porta. E o caso real, esse sim, seguiremos acompanhando.

Fontes

Bahia Notícias: MPE aciona Wagner, Rui e Jerônimo por suposta propaganda eleitoral antecipada (31/07/2026)

Encontra Teixeira de Freitas: Plenária do PGP reúne mais de 5 mil pessoas (21/07/2026)

Reel checado (página local, 23/07/2026): a legenda ressalva que o vídeo não comprova pagamento organizado

TSE, Temas Selecionados: materiais e brindes vedados em campanha (art. 39, §6º)

TSE, Temas Selecionados: captação de sufrágio (art. 41-A)

Poder360: aviso no evento de Lula fala em participação sem remuneração (16/08/2026)

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